quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Léo and Me: Noite perfeita!



Estou levando uma vida de solteiro, literalmente, meu pai fez uma viagem, foi visitar a família que mora no interior de Pernambuco em uma cidadezinha chamada Bom jardim, confesso que não é a melhor coisa do mundo, ainda mais eu que tenho uma preguiça dói cão, e sou obrigado a cozinhar, colocar as roupas na máquina, depois tirar, colocar na centrifuga, passar...
Bem, como eu disse, é “ruim, mas é bom”, assim eu tenho quilos de privacidade e posso ficar o dia todo fazendo algo que eu gosto muito: Nada!
Na segunda feira o Léo dormiu aqui em casa, tomou café comigo, agente brincou, riu, enfim, aquelas coisas... “Nossas Coisas”...
Foi tudo meio inesperado sabe, no domingo agente teve um papo legal, e na segunda ele apareceu do nada aqui me deixando mó feliz.
Eu tava no quarto como sempre, só que dessa vez com o sol bem alto, já que não tinha ninguém pra mandar eu abaixar, fiquei aqui na net fazendo algumas coisas, depois de um tempo isso já era umas 22:00 eu lembrei que tinha que alimentar o Fred, lembrei não, ele tava quase arrombando a porta, sai do computador e fui ver a hora no meu celular que tava carregando ( eu sempre faço isso, mesmo tendo um relógio digital, na minha cara ali no PC eu sempre olho ou no relógio, ou em qualquer outra coisa, sei lá, ainda não me acostumei que o computador serve pra tudo, ta eu sei, quase tudo!) quando vi, duas ligações perdidas de um nº privado, não pensei duas vezes e liguei pro Léo.
- Fala muleque porque me procura?
- Nossa, até que enfim lembrou de mim né?
- E tu acha que em algum momento eu te esqueço?
- Nossa, começamos a noite bem...
Risos altos.
- E ai filho te liguei duas vezes num atendeu por que?
- tava ouvindo musica com o som bem alto.
- Não acredito que é aquele CD daquela mulher com voz de robô?
Eu ri,
- Cara eu sei que o Cd não é lá essas coisas, mas foi 27, 00 R$ né?
- Tu é maluco de dar uma fortuna nisso!
- AFF! Britney também é cultura.
- Rodrigo o que ta acontecendo com você hein cara? Você gosta de Detonautas, Legião Urbana, Nickelback, e um bando de bandas legais...
- Ah sei lá, eu queria ouvir coisas novas...
-Aff!
- A gente vai brigar por causa de um Cd, hein Womanizer?
Rimos muito!
- Ta certo, eu que sou conquistador né?
- Nossa, nem é Léo...
- Então cara, vou dar uma passada ai, que é que tem de bom pra comer?
- Cara se sabe que eu não cozinho nada bem né? Mas posso tentar fazer um macarrão aqui...
- Tentar? Aff, você acha que eu vou comer um macarrão que vc tentou, fazer?
- Ta certo, eu vou fazer um macarrão pra gente, mas trás alguma coisa pra beber por que aqui só tem Pepsi, e ta sem gás...
- Ta Ok, quer mais nada não?
- Ixi, não me faça essa pergunta...
-... haushau, Por que?
- Por nada.
- Valeu, seu louco, daqui a meia hora eu to ai ok?
- Ok!
Ainda bem que eu desliguei se não o Fred ia acabar com a porta, de vez em quando eu fico olhando pra esse cão, ele não é tão gordo, mas ele come muito cara, muito mesmo.

Nessa mesma segunda feira de manhã me deu até pena dele, do Fred, por que tipo, ele come duas vezes, de manhã e à noite, só que como eu estou de férias e não tem ninguém pra encher meu saco e me acordar, eu durmo até 12:00...
No domingo eu deixei a porta da cozinha aberta, o Fred entrou em casa na manhã de segunda, fez coco na sala, rasgou as revistas, fez maior algazarra, quando eu acordei, eu pensei que tivesse entrado um ladrão e tals, mas daí eu pensei, meu deus que ladrão sádico teria o fetiche de entrar numa casa, não roubar nada, e ainda por cima defecar no carpete?
Fui “falar” com o Fred, ele ficou de graça, não aceitou as pancadas de leve que eu dei nele com o jornal, ele merecia pô, quis me morder, eu corri pra casa, mas não me dei por vencido, liguei a mangueira e fiquei torturando ele com a água fria, me deu pena, mas ele mereceu, hoje eu deixei a porta aberta de propósito, ele nem entrou em casa, e por ter aprendido a lição, ganhou biscoito canino que eu comprei especialmente pra ele.
Mas voltando...
00:00 O Léo chegou, eu ainda tava fazendo o macarrão, por que fiquei lá na comunidade Brokeback Mountain e até esqueci dele, a massa tava pronta já, faltava só o molho pegar “liga”, carne moída é uma mão na roda de qualquer “dono de casa iniciante”...
Ele tocou a campainha, fui atender, olhei pro léo...
Nossa! Uma roupa super normal, T-Shirt preta de uma marca que tem um elefante e não lembro o nome agora, (mentira, até sei, mas não vou fazer propaganda gratuita aki naum, kaskaks) uma bermuda de Tactel estilo surfista, uma sandália Havaianas branca, o cabelo arrepiado, um cheiro bom, uma sacola de supermercado com uma mala de cerveja Bohemia em latinhas, e um pote de sorvete, um abraço apertado, um beijo no rosto...
- Cara olha o molho lá que eu vou tomar um banho...
-...Nossa tava fazendo o que até agora?
- Nada de mais, é que esperei a carne descongelar... (menti, eu não ia dizer que tava contando nossa vida pra mais de 13 mil pessoas, pelo menos não ainda...)
-...Ué ta sem microondas?
-... Não, é que carne no microondas fica com gosto ruim!
- Ah ta! Minha mãe sempre descongela e eu não vejo diferença alguma...
- Ah, sei lá, eu acho!
Deixei ele na cozinhe fui lá em cima pegar minha roupa, meu pai se foi e não consertou a droga da água, continuava não subindo pra caixa lá de cima...
Entrei no quarto meio afoito, o PC tava ligado, dei uma olhada no meu perfil do Orkut Fake, e tinham 132 depoimentos ( isso mesmo 132), eu fiquei chocado! Feliz, sem saber i que dizer ou fazer, peguei minha roupa e desci...
- Ta ruim ainda a água lá em cima?
- Infelizmente!
- Se quiser cara, eu vejo amanhã pra você.
Ele disse isso mexendo o molho.
- Léo, você não entende dessas coisas...
-... Ih quem te disse?
-... Eu sei, disso!
-... Aff, se ta muito enganado!
- Léo você é igual meu pai, pensa que eu não lembro quando você disse que sabia consertar fichário?
Fiquei um bom tempo escrevendo em folhas soltas, já que meu pai não queria dar dinheiro pra comprar outro.
Rimos, alto, ele pegou uma cerveja, eu fui tomar meu banho...
Fiquei pensando qual seria a reação do Léo em saber que tinham fotos nossas ali, que eu o estava expondo daquela forma, me deu um frio na barriga, mas tudo bem...
Coloquei uma bermuda de tactel, uma blusa de manga de frio ( sou paranóico com frio) e um par de meias...
- Cheguei lá ele tava viajando ouvindo o MP4 e bebendo cerveja. Tirei um fone do ouvido dele e pus no meu, ele estava ouvindo The Reason de uma banda chamada Hoobastank, fiquei até o fim ouvindo, ele tava sentado na mesa, eu em pé, ao lado dele, aquela musica me trazia lembranças tão boas, me fazia bem...
Talvez por isso fiz uma coisa, que não fazia desde o dia do meu aniversário, que o Léo me falou aquelas coisas todas, tomei a iniciativa e o beijei....
Foi um beijo prolongado, um beijo gostoso ( mesmo com gosto de cerveja), nossos músculos estavam acelerados, eu acabei sentando no colo dele e agente ficou nesse beijo por um bom tempo, as respirações se tornaram ofegantes e se não fosse pelo cheiro de queimado, acho que não teria dado pra segurar...
-Meu deus, o fogo!
Levantei rápido.
-Léo, pega água ali pra mim...
Joguei na panela que fez aquele barulho, XIIIIIIIIII...
Mexei um pouco, e até que não ficou com gosto de queimado...
Comemos aquele macarrão a bolonhesa que por pouco não vira churrasco!
- Digo, posso dormir aqui?
- Você deve dormir aqui!
- você pode ficar no quarto do meu pai!
- Hã?
- Palhaçada bobão.
Acabamos de comer levei os pratos na cozinha e dei um grito no Léo.
-LÈÈÈO!
- Fala filho!
- Louça!
- O que tem a louça? Disse ele me olhando com cara de desentendido.
- Não tem nada, ela está bem, e disse obrigada, mas disse também que está de saco cheio de ficar suja...
- AFF, lava ai digo...
-... Ta louco? Eu fiz a comida, você lava a louça, os direitos são iguais...
- Mas a comida nem tava tão boa assim vai...
-... Ah é, então além de lavar você vai secar, por que eu não vou te ajudar...
E taquei o pano de prato na cabeça dele...
Ele lavou a louça e eu acabei secando, ficamos conversando sobre, emprego faculdade até que eu falei sobre futuro e tudo o mais...
- É cara, agente ta ficando velho...
- É verdade filho, daqui a pouco você faz 22, eu também...
- Já pensou a gente velho e nesse chove e num molha?
- Você, deve casar com a Vanessa, eu devo arrumar alguém, a gente esquece isso, vira amigos, bebe umas cervejas...
- Fiquei olhando pra ele com o prato que estava secando nas mãos...
- Eu nunca vou esquecer isso!
- Tava de brincadeira...
Ele riu, eu ri de nervoso, tava meio tremulo ainda...
Meu celular tocou e me tirou do transe.
- Alô?
- Digo?
- Oi Vanessa...
O Léo fez uma careta e riu.
- Como é que você ta meu amor?
- To bem, um pouco cansado mas to bem...
- Ah se ta cansado, eu pensei em ir pra ai agora...
- Ih Vanessa nem dá, tava indo dormir já, amanhã eu acordo cedo.
- Aff, Rodrigo, seu pai e sua madrasta nem estão em casa, o que custa eu ir dormir com você?
- Não fica assim cara, é que amanhã eu preciso acordar cedo, e você vai ficar aqui sozinha, e você tem medo do Fred, e como é que você vai sair se ele fica solto no quintal?
- Ah se é assim, sim, mas amanhã você será um homem morto se eu não for dormir ai, a gente ta adiando isso a tempos, primeiro era o estresse da faculdade, depois o trabalho, agora vc ta de férias, a toa, não tem desculpa!
- Humpft!
O Léo começou a beijar meu pescoço, eu fechei os olhos...
Rodrigo?!
-RODRIGO?!
- Oi to aqui sim, Van eu vou desligar ok?
O Léo riu...
- Tem alguém ai?
- Não, eu to sozinho...
-... Eu ouvi um sorriso Rodrigo.
Eu dei um empurrão no Léo e fiz uma cara feia.
- Vanessa deixa de ser paranóica, não tem ninguém aqui!
- Tem certeza? Nem o Léo? Eu ouvi ele rindo!
- Vanessa o que o Léo ia estar fazendo aqui a essa hora?
- Não sei, você que tem que me falar né!?
- Aff, olha você sabe que eu odeio essa suas insinuações, você tá ficando cada dia pior!
- Você não me dá opções, ta sempre falando desse garoto, ele sempre aparece, manda depoimento, scrap, SMS. Como você quer que eu esqueça uma pessoa que está sempre presente?
- Vanessa o Léo, é meu amigo...
-...O único né?
-... Você quer parar? Já que você acha que a gente tem um caso por que você não termina logo essa droga de namoro!?
- Quer dizer que nosso namoro é uma droga?!
-Não foi isso o que eu quis dizer!
- Mas foi o que você disse, é só falar dele que você fica assim, eu não to falando que você é gay, mas não ponho minha mão no fogo por ele...
- Se ela soubesse, pensei...
- Tá vai dormir Rodrigo, amanhã a gente conversa com mais calma! Te amo viu.
E desligou.
A Vanessa me dá nos nervos, procurei o Léo com os olhos, ele não estava na sala, fiquei puto de raiva, muito puto mesmo, subi, pro meu quarto, a TV estava ligada, o Léo esparramado na cama, tinha pego um par de meias meu também, estava assistindo o seriado que ele havia me dado.
- Aff digo, pensei que fosse igual The O.C esse tal de Gossip Girls, pelo menos é o que parecia, mas parece mais com rebelde!
- Eu ri muito, ri de felicidade, ri por o Léo ser tão especial por ele me fazer bem, por ele ser um homem quando deveria ser, e por ser um muleque, uma criança super inocente na maioria das vezes, deitei ao seu lado, desligamos a TV, e fomos felizes!
...


Até amanhã!

Léo and Me: E a vida continua...!




Decidi criar este perfil por que eu estava beirando a loucura, isso mesmo!De repente acabou tudo sabe? O colegial chega ao fim e você se sente um lixo, seu mundo não existe mais, você terminou a escola, não existe rotina, não existem seminários, trabalhos de casa, alunos chatos, professores mais ainda...De repente você está na rua sem preparo algum, ninguém te avisou que seria assim, você passa 10 anos da sua vida indo para um lugar, e depois te jogam na rua, sem nada, sem planos, sem sonhos...Chega a 1ª semana de janeiro do ano pós colegial, você já começa a notar uns olhares meio atravessados por meio do seu pai, afinal de contas, já ta na hora de trabalhar né?Na hora do café da manhã, se ouve uma indireta aqui, outra acolá...Mas tem horas que a paranóia toma conta de você, tudo e todos estão contra, e querem que aceleradamente que você suma de suas vidas, até mesmo um comentário involuntário de seu pai sobre o aumento do pão, vira reclamação de que você está comendo de mais...Bem se isso acontecer com você, bem vindo ao mundo pós adolescência.Vou fazer 22 anos e passei por todas as fases que os adolescentes passam, ou vão passar.Aos 11 anos estava na época de querer ser mais velho e tentar ser aceito.Minha mãe me matriculou em uma escolinha de futebol, fiz amizades e até dei entrevista na TV uma vez. Sério! Foi no “Esporte Espetacular”, bem os méritos não eram meus, é que o professor da escolinha, não era um professor convencional, entende?! Ué como assim? Ele era cego!Ah calma ai Rodrigo depois você diz que essa história não é fake, como assim, um professor de futebol cego?


Não me faça essa pergunta, rs, eu não tenho essa resposta!Aos 14 anos comecei a ser “O Roqueiro” e andar com uma mochila jeans suja e fedorenta, toda pichada com nomes de nadas americanas, os erros ortográficos contidos naquela minha mochila, dariam pra fazer uma bela colcha de retalhos para um tenebroso inverno.Aos 15 virei o popular, já que desde que nasci sou um orador nato, e os muleques precisavam e mim pra colocar “as minas na fita” deles!Na metade dos meus 16 anos eu era “O fofo”, o menino que escrevia poesias, que era legal com todo mundo, e que fazia festas legais...Na outra metade, eu era o gay que namorava com o muleque que era novo na escola, no fim dessa metade eu comecei a namorar com a Jess e virei o menino normal de sempre...Já com 17 começou meu calvário, cai na fase do esquecimento, um muleque sem sal, magrelo e dentuço e comecei a formar o Rodrigo de hoje...Ainda normal é claro, um pouco mais “salgado”, não tão magro, e um pouco menos dentuço!Hoje tenho 21, (quase 22), e não sei ao certo como me definir.Ainda estou perdido, em um mundo de aparências onde faço de tudo para não aparecer,.Uma vez eu pensei que o Léo fosse o fim de todos os meus problemas, porém hoje em dia, pelo menos, as vezes, penso que todos os meus problemas começam e terminam com ele.Posso estar sendo injusto, insensível, impiedoso, mas enfim, vamos ver o que eu seria sem o Léo...Bem, se Leonardo Nunes, não houvesse comparecido na festa de aniversário de Rodrigo Velásquez, Rodrigo Velásquez teria passado a noite inteira dando sorrisos falsos, naquela festa chata, que o pai fez questão de promover, ajudando assim, um monte de adolescentes a começarem em um mundo cheio de bebidas alcoólicas, adolescentes estes que se não fosse pela bebida de graça, e comida idem, não estariam ali.


Depois da festa ele iria para seu quarto, mas não haveria presente algum pra ele desembrulhar, afinal de contas depois que se faz 13 anos, dificilmente se ganha presente em aniversário, pelo menos não daqueles que não são da família!Dormiria, acordaria, dormiria novamente, na segunda iria pra escola e ninguém mais se lembraria de como foi sua festa de aniversário...Mas, como Leonardo Nunes compareceu aquela festa, o roteiro foi altamente diferente, eu dancei, pois sabia que existia um muleque louro que estava na platéia admirando aquelas coreografias batidas e engraçadas, sorri e contei piadas, afinal de contas não estava afim de parecer entediante para uma pessoa que permanecia sóbria, mesmo com a quantidade de bebidas oferecida.Se Leonardo Nunes não tivesse surgido como um furacão em minha vida, eu nunca perceberia a família legal que eu tenho, já que nossas famílias são opostas, as vezes eu comparo minha família coma do Léo, e vejo o tanto que ele sofre, e sofro junto, e tento ajudá-lo e não chateá-lo com meus problemas, ele já tem os dele e não são poucos.No dia que minha mãe faleceu eu liguei chorando, foi difícil, era meu pior dia...Hoje eu tava no chat que o “LUX” criou aqui pra como BBM no “Messenger” ( MSN), daí eu comecei a conversar com a “Garota” a gente falou de emprego e tudo o mais, daí eu disse que trabalhava na Barra da Tijuca e que diariamente passava pela linha amarela, daí ela perguntou se era uma Via de acesso bem perigosa aqui no rio, pois ela via no noticiário que tinha muito tiroteio, daí ela comentou que nunca tinha visto ninguém morrei, eu fiquei quieto, afinal de contas, eu já vi...Foi no ano 200 que minha mãe recebeu o diagnóstico de câncer de mama, chegando em casa, choro, sofrimento, quimioterapia, queda capilar, operação, recuperação, nova vida!


6 anos depois e o diagnóstico de nódulos estomacais, mais sofrimento, quimioterapia, no lugar da queda capilar, a perda de peso, vômitos constantes, mais perda de peso, morfina, alucinações, mais choro, meus choros, meu descontrole, meus medos, meu emagrecimento, minha bulimia, depressão, em pleno carnaval e eu com minha mãe, chorando, sentindo raiva do meu pai, idas e vindas do Fundão ( hospital universitário Clementino fraga Filho) foi no dia 27/02/2007 que ela faleceu.Eu estava em casa era 18 e alguma coisa da tarde, aquele dia, o meu pior dia, eu descobri que eu não era invencível que eu não era tão forte, que eu estava sozinho, que eu era humano!Minha mãe era minha amiga, parecia comigo, física e psicologicamente, me ensinou a ler, me deu meu primeiro livro, me fez o que sou.Liguei por Léo, mas ele já sabia, a Claudia ligou pra avisar. Cláudia? É Claudia, amiga da minha mãe, mãe da minha irmã, atual esposa do meu pai, minha madrasta!O enterro foi em um cemitério chamado jardim da saudade, o dia lindo que fazia, era muito diferente da tempestade que se sucumbia em meu peito.Fomos ao enterro, eu não queria falar com ninguém, foi tudo desesperador, as pessoas vinham, despejavam os clichês, eu não ouvia, eu não queria ouvir.E o Léo? Ele estava comigo, mas eu, eu não estava com ele.Chegando em casa, fui pro meu quarto, não queria conversar, um pouco depois, o Léo, subiu, bateu na porta eu não respondi, mesmo assim ele entrou, sentou a meu lado, não disse nada, eu apenas chorava, ele passava a mão em meu ombro, tentava me consolar, recebia meu silencio e me entregava seu afeto.Dormi em seu colo, ele me pôs na cama, foi embora.Dois meses se passaram, eu não liguei, ele também não.A Claudia chegou, um tempo depois a Julia também...


Comecei a trabalhar, procurei o Léo, eu o amava, ele ainda não sei.Hoje ainda me sinto perdido, estou de férias na faculdade, aparentemente desempregado, mas feliz enfim!Olhando por um lado, ninguém é a razão de nossos problemas.


O Léo não cria os meus, sabe o que ele faz?


Me ajuda a sair deles.


A vida é complicada, mas eu vou dar o meu jeito!




E você também!




Boa noite!



Léo and Me: Viagem...


Fomos pra região serrana aqui do Rio, Nova Friburgo, quem mora no Rio deve conhecer e se não, pelo menos deveria, o lugar é lindo, e tem aquele, frio massa, que nós cariocas que não curtem muito o clima praiano da cidade Adora.Essa viagem já estava marcada a um bom tempo, antes mesmo de todas essas coisas terem acontecido entre eu e o Léo, antes mesmo de toda essa coisa louca, esta viagem estava marcada entre a gente, como eu tinha dias pra tirar no serviço e o Léo idem, sendo assim...O céu estava de um azulcrinando, o sol raiava majestoso e imponente, acordei com uma dor de cabeça, que nem toda a beleza do dia, conseguia superar, a primeira coisa que fiz ao abrir os olhos, foi fechar a blackout (persiana que deixa o cômodo desejado totalmente vampiresco).Dormi mais uma meia hora, e levantei, dei uma olhada no meu rosto, todo inchado, olheiras, e alguns arranhões que a Julia havia feito na noite anterior, liguei o chuveiro e tomei meu agora costumeiro banho frio, não sei como passei tanto tempo sem conhecer a magia de um banho gelado...Desci pra tomar café e já ia dar umas 11:00, e pra variar não tinha ninguém em casa, fiz um misto quente qualquer, uma vitamina, tomei um analgésico e me vesti, ficou combinado do Léo passar lá em casa as 13:00 pra gente pegar a estrada, liguei a TV ainda eram 11:00, fiquei assistindo Nicklodeon, e como não tinha nada de bom, coloquei um VHS antigo, com uns episódios de DOUG que eu tinha gravado do TV CRUJ, um programa que passava no SBT.Só sei que nesse meio tempo adormeci, se sonhei não lembro, mas acordei com o toque frenético da campainha...


- Boa tarde- Boa tarde!- O senhor Rodrigo Velásquez?- Sou eu mesmo.Era um carteiro, nas mãos um pacote grande, depois de assinar a papelada, entrei com a caixa, minha avó que havia mandando umas coisas pra mim, todo ano ela faz isso, manda camisetas, shorts, e até cuecas...Enfim, assim que o carteiro saiu, o Léo chegou, vestindo bermuda, chinelo havaianas, papo legal, sorriso, piadinhas engraçadas, abraços, mais sorrisos,

Parece que minha promessa de escoteiro não está valendo de nada... Mas minhas sinceras desculpas, to trabalhando igual a um condenado galera, as coisas aqui no Theatro Municipal carioca estão cada dia mais corridas, e tipo, a casa está fechada por que estamos passando por reformas, e por isso todos os outros espetáculos, foram transferidos pra teatros menores, e agora com a montagem do Quebra Nozes, no Shopping Rio Sul em botafogo, eu to praticamente sem tempo, mas sei que isso não é desculpa, sendo assim, vamos lá!Entrei em casa, e minutos depois ele chegou, com um sorriso estampado no rosto, me ajudou com a caixa, minha avó sempre me surpreende e dessa vez não foi diferente, dentro de um envelope de papel pardo, tinham 150,00, ela sempre manda um dinheiro enrolado nas roupas...Fui lá em cima buscar minhas coisas, e o Léo ficou lá em baixo brincando com o Fred, que tinha sido atropelado por uma bicicleta e tava todo triste ainda pelo susto!Demorei um tempo pra pegar tudo e não esquecer nada, deixei um bilhete na porta do quarto do meu pai, e desci...O Léo tava no telefone-... Beijo, te adora, Lindinha!Eu já desci as escadas meio bolado...- Quem era?- Luana!- Ahm tah!- Que foi? Por que você fez essas cara?- Por nada Léo, por nada...Colocamos as malas no carro, ele ficou ainda me olhando com uma cara confusa, do tipo eu não fiz nada...A viagem foi tranqüila, o clima estava muito quente, e eu particularmente não sou fã deste tempo, por isso que escolhi Nova Friburgo...Quando estávamos subindo a serra, o Léo colocou numa radio carioca chamada Paradiso FM, é uma rádio meio MPB, que só toca musica ótima, daí tava tocando codnome beija flor, daí ele colocou a mão na minha perna, meu coração disparou, ele riu pra mim, eu ri pra ele, mas daí eu me olhei no retrovisor e vi a cara de babaca que eu faço quando o Léo encosta em mim, rsrs, me ajeitei, e fui curtindo ele e a musica...

Chegamos, a casa era de um tio dele, que ficava fechada desde que ele havia passado em uma prova para sargento do exército e tinha ido viajar com a esposa e a filha para o Amazonas...

Ficava no bairro de Olaria ( mesmo nome de um bairro da Zona Norte do RJ), era bem legal, tinha ume estilo colonial, dois quartos, uma varanda legal, e estava mobiliada, só não tinha sofá ( rsrs não me perguntem o por que!) bem entrei meio desconfiado, acendi o interruptor, estava dia dia ainda eram umas 17:00 horas, mas lá dentro estava um pouco escuro, o Léo abriu as cortinas, e eu fui ao banheiro por que já tava mega apertado...
O Léo entrou no banheiro...

- E ai gostou da caxanga?
- É legal...
Terminei de fazer, balancei, rsrs, lavei as mãos, e como não tinha toalha, sequei na calça mesmo.

- Digo, você é bonito sabia?
Fiquei um tempo mudando de cores, e falei:
- Sério?
- É cara, eu acho que já te disse isso!
Não, ele não tinha me dito, se não eu lembraria...
- Você também Léo!
Bem nessa hora eu estava encostado na pia, ele se aproximou de mim, me deu um abraço tão gostoso, um abraço de irmão, a gente ficou assim por um bom tempo, até que essa fraternidade dar lugar ao desejo, e eu sentir algo quase furando a minha calça, rsrs, eu fiquei sem graça, por que estava na mesma situação, os beijos ficaram mais intensos, as mãos começaram a rolar, e os suspiros frenéticos, até que eu dei um solavanco brusco, e sai...

- O que foi cara?
- Nada Brow, só acho que a gente não pode fazer isso!
- Rodrigo, nada a ver chega ai Brow...
Eu me desvencilhei, ele fez uma cara feia e saiu do banheiro, tudo bem, fiquei uns 5 minutos até minha “alegria” baixar...

Fui procurá-lo pela casa que eu não conhecia, fui na parte de trás onde tinha uma varanda, mas ele também não estava, e nem na cozinha, então subi as escadas, e abri a porta de um dos quartos, que deveria ser o do casal, pois tinha uma cama grande, porém sem lençóis, estava só no colchão mesmo, olhei no banhiero e ele também não estava lá...

Fiquei até as 22:00 esperando o Léo, estava mais do que preocupado com ele, já tinha trocado a roupa de cama, e por sorte minha e azar também, íamos ter que dormir juntos, já que o outro quarto era uma espécie de depósito, estava cheio de tralhas empilhadas...

Eu estava com fome, e como tínhamos trago bastante comida e bebida, decidi fazer um macarrão, mas a toda hora ligava pro celular do Léo, mas só dava caixa postal, e nada dele atender...

Quando estava me servindo com o macarrão com carne moída que eu havia preparado ( carne moída está que comprei em um mercadinho que tinha perto da casa), ele chegou, com uma cara de poucos amigos, e um bafinho de bebida, mas não bêbado!

- Aonde você foi cara, eu to aqui quase morrendo e preocupação!
- Pra que você quer saber?
- Ué, eu fiquei preocupado...
Ele sentou na mesa, olhou um pouco pra mim com uma cara de sei lá, uma cara tão pacifica que me assustou...
- fui dar uma volta, pensar na vida!
- Você sumiu por causa daquilo que aconteceu?
- Não, eu sai por causa do que não aconteceu e que não vai acontecer mais...
Engoli em seco!
- Pelo menos até em quanto você não se decidir...
Dessa vez foi eu que sentei, larguei meu prato na mesa, da forma mais suave possível, abri a geladeira, peguei um vinho, uma taça empoeirada, e sentei.
Ele ficou olhando pro meu prato, enquanto eu me sentava a sua frente!
- Eu já me decidi a muito tempo! Já disse que não quero apenas sexo!
- É só isso que eu consigo te dar!
Lágrimas...
- Para de chorar Rodrigo, isso me corta o coração!
Larguei o macarrão, e sai...
Fui pra sala, voltei na cozinha, ele estava comendo meu prato, rsrs, peguei minha taça de vinho, e sentei no sofá...

Ele passou por mim, subiu, tomou banho, e desceu cheiroso, e de pijama, isso já era uma meia noite e eu tava dormindo no carpete, com umas almofadas e a TV ligada...

Acordei com o Léo assistindo a um programa que vende jóias pela TV.

- Que horas tem cara?
- Não sei, mas já é bem tarde!
- Acabei dormindo aqui!
- É, percebi... To meio sem sono...
Estava deitado no carpete, levantei e fiquei tipo de borboletas me espreguiçando...
- Léo, vamos fazer o que amanhã?
- Então cara, umbora dar uma mochilada.
- Já é...
-... Faz sanduba lá pra gente!
- Não sou o cozinheiro oficial desse navio marujo!
Risos
- Eu posso até fazer, mas vou logo avisando que sou péssimo na cozinha e você sabe!
- Acho impossível você não conseguir, vamos lá que eu te ajudo...
- levantamos do chão, e fomos até a cozinha, agente tinha trago, pão, queijo, hambúrguer, miojo, refrigerante, latinhas de cerveja, e um monte de bagulho...
- pega uma fatia de pão de formai, isso, agora o queijo, passa, maionese, ah ta esqueci, vocÊ não gosta de maionese... Isso, Poe o queijo, alface, tomate, ketchup, por a outra fatia... Muito bem... No meu pode por maionese... Viu como é fácil...
- É até que foi mesmo...
Foi um lanche gostoso, o Léo abriu uma latinha de Skol (sempre!), e só sei que as 06 da manhã estávamos bêbados, e dormindo em pé!
Fomos pro quarto, eu deitei de um lado e ele do outro, cinco minutos depois, eu já estava colado nele, a sensação era de felicidade plena...

13:00 hora acordei, o deixei dormindo, fui tomar um banho, coloquei um tênis de caminhada, arrumei a mochila e um pouquinho depois ele levantou, fez uma cara meio nada a ver,e foi pro banheiro...

Depois de meia hora ele saiu, não havia tomado banho e tava com uma cara péssima...

- Poots,s e ainda ta assim Léo?
- To passando mal filho! ( muito tempo que ele não me chamava assim)
- Ta sentindo o que cara? Você sabe que não pode comer maionese cara!
- É eu sei, mas agora eu to com uma puta de uma “caganeira” ( palavrinha feia essa viu!)
Eu ri, ele ficou sem graça, mas depois riu...
- Vai dizer que você nunca teve isso?
- Não que eu me lembre!
- Ta bom, sei...
- Sério cara, já to até arrumado pra gente sair...
- Cara, o único lugar que você vai, é caçar uma farmácia, pra comprar algum remédio pra mim!
- Aff! Vou te dar um laxante isso sim!
- Para de graça Digo...
E saiu correndo pro banheiro, eu fiz aquela minha cara de “vamos lá novamente” e fui até a farmácia!
Acabei achando uma locadora também, tirei uma Xerox da identidade e do CPF numa papelaria que tinha ao lado da farmácia, que também era ao lado da locadora, a menina do caixa não queria deixar eu locar por causa do comprovante de residência, mesmo a cidade sendo pequena, acho que ela só implicou comigo por que pecebeu que eu não era dali, só sei que depois de um tempo e dela falar com a irmã dela, que era um gata e devia ser mais ou menos da minha idade deixaram eu alugar, depois que eu mostrei onde era a casa que eu estava...
Acabei conversando um pouco mais com a garota de nome estranho ( thalíssa), e até me esqueci do Léo...
- Poora, demorou hein...
- Fiquei conversando com a garota da locadora, e esqueci de você...
-... trouxe o remédio cara?
- Ta ai!
- Valeu, que é isso ai?
- Uns filmes!
- E tem DVD aqui?
- eu vi um naquele quarttinho lá em cima, só não sei se funciona.
limpei o aparelho que tava cheio de pó, e estalei lá em cima, no quarto, íamos ver na cama... kkkk

aluguei, anjos da vida com o Ashton Kutcher, muito bom, e ela é poderosa com Jane Fonda e Lindsay Lohan, e também, La mala Educacion, do Pedro Almodóvar com o Gael Garcia Bernal, me surpreendi de ver este filme em uma locadora, nunca tinha visto cacei a beça, e achei ali, destino? Talvez, o filme é um pouco forte, mas como tudo de Almodóvar, é brilhante!

Fiamos vendo o filme, o Léo tinha melhorado um pouco, fiquei fazendo cafuné, ele fez café, a gente bebeu, depois quando já era noite, e o frio estava maravilhoso, fomos dar um role pela cidade!

Achamos uma pracinha, bem movimentada, tinha uma bar muito Phoda, ficamos bebendo, e de repente a menina da locadora, junto com mais uma amiga veio falar comigo, primeiro sorriu, depois demos os dois beijinhos, eu convidei as duas pra sentarem e ficamos conversando...

Acho que em fração de segundos, eu apenas olhei pro lado e quando voltei, o Léo já estava se pegando com a amiga da menina da locadora, eu fiquei meio chocado, mas não muito, já estava me acostumando, e pensei bem, a thalíssa estava me olhando bastante, depois de uns minutinhos agente ficou se pegando também, eu até que curti, a mina era bonitinha e tals...Quando deu uma certa hora, elas foram embora, O Léo que ficou meio bolado, acho que ele queria ir um pouco mais além com amenina e tudo o mais...Não ficamos bêbados e voltamos pra casa, a noite estava linda, eu ainda fiquei um tempo olhando pro céu e deitado na grama verdinha do quintal da casa...Isso é uma mania que eu cultivo desde a infância, sou fascinado pelo céu, sempre que posso dou uma boa olhada...Quando entrei a casa estava toda apagada e o Léo estava aparentemente dormindo, tomei um banho, e subi...Quando deitei na cama, ele se mexeu e já veio pra perto, me deu um abraço por trás e ficou meio que de graça e tals...Eu ri exageradamente alto quando ele começou a falar besteiras...- será que é hoje?- Aff, será que é hoje o que?- Cara eu até gosto de gente difícil mas você ta demais Digo...-... Brow a gente já conversou sobre isso, e além do mais, eu até quero, mais não do jeito que você quer...- Como assim?- Ué você fica falando que eu não cedo e não sei mais o que, mas eu gosto de reciprocidade...- Cof, cof, cof...Ele tossiu meio que alto, acho que não estava esperando o que eu disse...- Você ta querendo dizer que...- ... Isso ai!- Se ta doido!- Então você também ta doido!Ele virou pro um lado e eu virei pro outro...Acordamos com o sol perfeito, ele foi o rpimeiro a levantar, eu continuei deitado, depois de 40 minutos ele trouxe biscoito trakinas e uma coca em lata pra mim, me entregou na cama mesmo.- Trouxe seu café!- Nossa só você me dizer que foi vocÊ que fez...- E pior que foi!Rimos bastante, eu fui tomar banho, ele ficou lá conversando comigo enquanto a água caia...

- Digo?!- Fala cara...- Você sempre gostou de mim?- Acho que sim...-... E por que você namorou com a Jess?Eu desliguei a chuveiro e fiquei passando shampoo na cabeça [ sempre façam isso galera, brincar com água não é legal”]- Bem Léo, você lembra que o pessoal ficava comentando as coisas sobre a gente e tudo o mais?- Claro que eu lembro, sempre que eu tocava no assunto com você tu ficava vermelho igual um tomate...Fiquei meio sem graça...- Então cara, foi por isso que eu namorei com a Jess...- Então tu não gosta de menina mesmo?- Cara...-... Por que eu vi que você ficou a mina da locadora ontem...- Cara, eu gosto de você!Fiquei me ensaboando e ele ficou meio quieto, eu tentei abrir os olhos mais ardeu igual não sei o que...- Léo? Léo?Do nada eu sinto uma mão nas minhas costas, depois um beijo misturado com sabão, e as mãos foram ficando um pouco mais vorazes, a loucura estava tomando conta de mim, não sei por que eu estava tão vulnerável, só sei que num impulso, eu tentei sair, mas sabe aquela vontade de ficar? Então, ela bateu mais forte, foi legal, eu curti... E quanto a reciprocidade, ela existiu... Espero que me entendam...Os dias foram legais, mas agora nosso “Romance” tinha um agravante a mais que era o sexo...Voltamos pra casa, na estrada o pneu furou e eu não sabia trocar e o Léo ficou horas tentando desparafusar, retirar o pneu e por o estepe...Já estava de noite quando pegamos a estrada novamente, ficamos ouvindo umas musicas bem legais, foi muito Phoda...

Léo and Me: E quando se ama sozinho?


Na sexta feira a gente foi em uma boate que tem em Copacabana Fosfobox é o nome, o lugar é bem legal...

- Digo?
- fala Léo!
- Então Brow to ligando pra saber o que você vai fazer hoje?
- Então cara, nada demais, to aqui colocando a Julia pra dormir...
- Ta treinando já véi?
Risos...
- É né!
- Se liga umbora pra fosfo?
- Pow umbora!
- Beleza, tipo, vou buscar meu irmão na faculdade, como alguma coisa e passo na tua casa as 23:00 beleza?
- Beleza!
- Quem vai?
- Vai, eu tu, e a Luana!
- Luana? Quem é essa?
- Uma mina ai do serviço!
- Se nunca me falou dela!
- É que conheci a pouco tempo!
- E já vai pra balada?
- Qual é o problema? É mulher meu Brow, tem que aproveitar!
Humf!
- Ok, Léo...
- Vou lá buscar o Márcio então!
Valeu!
- Bjunda!
Eu desliguei, a Julia já tinha dormido e babado todo o meu braço...
Coloquei ela no berço, fui pro meu quarto, ainda eram 21:00, deitei na cama e dormi!
[i]“Eu corria aceleradamente, sei lá a estrada era desconhecida, eu tava sozinho, era de noite eu tava com frio, e pra piorar minha situação, começou a chover, não tinha iluminação nenhuma naquela droga de estrada, eu fui andando, sem rumo, de repente eu vejo uma mulher toda de branco, tinhas cabelos cumpridos e lisos, ela me dizia é por ali!”[/i]
- Digo, Digo!
- Hã? O que?
- Acorda muleque!
- Não vai não é?
- Hã? Ah, Léo, fala Brow, caramba cara tava tendo um sonho muito esquisito!
- Imaginei tua cara tava moh louca...
Eu dei um sorriso amarelo e fiquei viajando naquele período recém acordado...
- Rodrigo, umbora cara, a Luana ta lá no carro esperando!
- Quem?
- A mina que eu te disse Brow!
Fiquei puto só de lembrar!
- Valeu cara, me espera 15 minutos ai que eu já volto!
- Ta louco e eu vou deixar a mina lá embaixo sozinha?
- Ué manda ela subir né?!
- Pode?
- fazer o que?
Dizendo isso peguei a toalha e fui pro bendito banheiro tomar meu banho, tava um calor dos diabos, mas eu confesso que não consigo tomar banho de água gelada, ou pelo menos não conseguia, superei este trauma...
Quando sai do banho, só de toalha vi uma cena que quase me fez vomitar!
O Léo tava no maior amasso com a menina, no meu quarto, na minha cama, na minha frente!
Meus olhos marejaram na hora, eu sou muito fraco pra esses lances de coração mesmo, voltei na pontinha do pé pro banheiro, fechei a porta e danei de chorar, chorei muito mesmo, liguei o chuveiro por que eu tava com medo que eles me ouvissem, sentei no chão, encostei meu braço na privada, e chorei todas as lágrimas que estavam guardas pro ano que vem, voltei pro chuveiro, coloquei no modo verão, a água fria batia em minhas costas, no começo incomodava, mas depois, foi relaxante, eu só chorava, um choro possante, um choro cruel, meu peito tava doendo, muito, e o filme só com aquela cena, passava insistentemente em minha cabeça, mas o Léo desapertou a tecla replay quando entrou no banheiro!
- Vamo filho, morreu ai é?
- Morri, Léo!
- deixa de graça Digo, ta ficando tarde!
- Eu não vou mais não cara!
- para de palhaçada!
- Já disse que não vou!
Ele abriu a porta do Box, me olhou, viu que eu tava chorando, fez uma cara de pena...
- O que foi cara?
- Nada Léo...
-... Cara você tava bem, me fala logo, foi por causa do sonho?
- Foi cara, era tudo um sonho!...
-... Ah Rodrigo, tu não vai deixar de ir pra balada por causa de um pesadelosinho idiota neh?
Fiquei um tempo pensando, e dei a resposta!
- Verdade! Deixa eu terminar de tomar banho que eu me arrumo!
- Ok, a gente vai te esperar lá na sala, demora não hein!
- Valeu!

Ele saiu do banheiro, lavei beem meu rosto, me sequei me arrumei e desci, tinha um intuito em mente, parar de ser babaca, o mundo não era nada daquilo que eu imaginava...
Desci as escadas, e vi novamente a cena que me deixou descontrolado, meus músculos faciais continuaram trêmulos, mas não chorei, me segurei muito é verdade, mas não chorei, fui andando em direção a porta, eles estavam se beijando, passei por trás do sofá pra chegar até a porta e dei um tapa de leve na cabeça dele.
- Fala filho, até que enfim né? Hum, ta cheirozão hein...
A menina me deu um sorriso sem graça, eu retribui da mesma forma!
- Ih, Deixa eu apresentar vocês, Luana, Rodrigo, Digo, Luana!
- Prazer! Eu disse, é claro que o prazer que eu estava sentindo com aquela apresentação é o mesmo prazer de levar um zero na matéria que você mais precisa de pontos...
Ela sorriu e me deu três beijos no rosto, enfim, apresentações feitas, fomos pro carro que ultimamente parecia ser propriedade do Léo!
Sentei no banco de trás e ele foi na frente com a menina, vira e mexe ele passava a mão na perna dela, hora, no coxa, e quando havia um semáforo ele propositalmente reduzia a velocidade, só pra ficar parado no vermelho e aproveitar e ficar dando bitocas na menina. Que era linda por sinal, ruiva, algumas sardas, corpo legal, no máximo 20 anos.
Chegamos na fosfo, tinha uma fila meio longa na entrada, a menina entrou na frente, já que as filas eram separadas...
- E ai gostou da Luana?
Fiz uma cara de imparcialidade.
- E eu preciso gostar?
- Que bicho te mordeu em cara?
- Léo, não torra!
A fila começou a andar rápido, a gente já tava chegando perto da portaria quando eu vi a menina, plantada esperando o Léo...
Eu fiquei pensando como um cara pode ser tão diferente em um espaço de tempo tão curto!
Entramos na boate, no meio tempo que ele parou pra beijar a menina, eu sumi, dei um perdido legal, não tava à fim mesmo de ficar vendo aquilo tudo, meu coração estava disparado, eu não sabia nem o que fazer, a pista de dança tava bombando, a musica moh legal, fui até o bar, pedi uma água sem gás, pra depois começar a beber, do nada eu sinto uma mão no meu ombro e quando eu olho...
- Rico?
- Digo?
- Caralho! Que coincidência leke!
- Verdade cara!
- E ai se ta sozinho?
- Não Brow, to com meu namorado, Caio, Rodrigo, Rodrigo, caio!
Quando eu olhei, vi um muleque, moh feio com o Rico, que é um cara presença, enfim, como eu disse, aparência física não vale nada nessas relações de amor...

Sai do bar pior do que antes, antes eu tinha o Rico me cortejando e agora eu tava literalmente sozinho!
Dei uma passeada, bebi minha água, comecei a beber umas cervejas, flertei com uns caras, mas nada de mais, a fosfobox, é alternativa, todas as tribos curtem aquela balada!
Até que veio um muleque EMO mó estiloso perguntar se eu tava sozinho, eu já tava meio bêbado, e dei um beijo no cara, mas depois ralei, quando eu tava indo embora, vi o Léo sem camisa, dançando colado na mulher...

Cheguei em casa e dormi!

No outro dia ele veio aqui, a gente conversou, ele disse que queria um beijo!

- Tem mó tempão que se não me dá um beijo né?
- Pede a Luana!
Ele riu, eu não achei graça nenhuma, continuei jogando senhor dos anéis.
- Ah digo você não ficou bolado coma quilo né? Vai dizer que tu não ficou com nenhuma mina?
- Não. Não fiquei! Pelo menos com nenhuma menina!
- E menino Rodrigo? Disse ele sério!
- Não fiquei com ninguém! Menti...
-... Ah bom!
- Aff! Eu acho que quem escolhe isso sou eu né?
- É assim?
- Léo você ta equivocado...
- Ele começou a colocar os pés em mim, ficar batendo na minha cabeça, mas eu tava tão puto que nem liguei...
Isso foi assim, até ele enjoar e ir embora dizendo que eu tava chato!

Léo and Me: Eu nem sei se é namoro


Eu não conseguia levantar, minha boca esta doendo muito, o Léo tinha acertado um soco nela, minhas costas doíam, minha cabeça, mas é óbvio que nenhuma dessas dores era maior que a da alma, o dorzinha imensa, levantei, aumentei o ar condicionado, peguei um edredom, olhei pela janela, já tinha anoitecido, peguei meu celular, 12 ligações não atendidas, todas de um numero privado, coloquei no criado mudo novamente, a porta do quarto abre, o Léo entra e acende a luz!

- Apaga essa luz.
- Quero conversar com você
- APAGA A PORRA DA LUZ!
- ta ai ó já apaguei!
- a gente precisa conversar...
-... Conversar o que Léo? Eu já estava em lágrimas, aff, como eu sou um bobão mesmo **galera eu to chorando de verdade aqui só lembrando dessas coisas**
- Eu preciso te pedir desculpas...
-... Cara não precisa você me falou tudo o que queria ontem!
- Digo, desculpa, eu to confuso...
Eu levantei, quase não conseguia, minhas costas estavam doendo muito, acendo a luz do banheiro, me olhei no espelho, minha gengiva tava cortada, meu cabelo despenteado, meus olhos fundos e vermelhos...
Acendi a luz do quarto.
- Cara, pega as coisas que você me deu.
- Rodrigo deixa de ser criança.
-CRIAN...
-... Fala baixo! Ele falou em um tom baixo de reprovação.
-Criança? Você tem noção do que você fez comigo?
- Eu tava me defendendo, Rodrigo, olha como ta meu rosto... A testa dele tava roxa!
- Eu não to falando das dores físicas, to pouco me importando das pancadas que agente trocou isso vai passar, eu to falando das coisas que você me disse Léo!
Mais muitas mais lágrimas...
- Porra cara, isso dói muito sabia?
- Digo, cara, desculpa.
Ele também tava chorando.
- Desculpa Léo? Você acha que isso resolver? Brother, eu te amo porra, isso mesmo, muleque eu te amo, não sei
o que é isso, o por que disso, só sei que sinto isso...
Ele ficou meio mudo, andou de um lado pro outro, eu deitei na minha cama, comecei a chorar, fiquei lá com a cabeça enfurnada no travesseiro, ele sentou do meu lado, ficou passando a mão na minha cabeça, falando aquelas coisas...
“Não fica assim cara” “Rodrigo levanta daí...”
Ele me levantou, me colocou nos braços, dele, chorou, e me beijou...

Semana passada ele veio aqui, eu não estava, ele disse que vem na quarta, como eu to trabalhando e estudando muuito, quase nunca o vejo...


E agora o que eu faço?
Tenho medo, muito medo!
Não sei, conto com vocêS!

Antes “deu” postar as coisas novas que ocorreram, antes “deu” falar qualquer coisa pra vocês, eu queria dizer, que todo dia eu fico pensando...
Meu deus, por que eu não conheci essa comunidade antes? Será que todo muleque, que é bi, gay, enfim, será que todo mundo passa por isso? Como se resolve? Não se resolve? E se resolve, como continua?

Dúvidas e mais duvidas...

O Léo veio aqui em casa dia desses. Isso era umas 22:00, como sempre me ligou antes, disse que tava lá embaixo, eu disse pra ele esperar que eu ia descer.
- Alô?
- Fala filho!
- Poots por que teu nº ta sempre privado?
- Meu irmão colocou essa bosta e eu não sei tirar, rsrs.
- Rsrrs, fala awe cara?
- Então, to aqui em frente, desce ae...
- Hum... Ok, to indo!
- Ahm ta pensei que ia ficar fazendo charme...
- Não, rs, só vou botar uma blusa!
- Precisa não...
-... kKKK, para de palhaçada!
- Ta, anda logo!

Quando ele ligou, eu estava relendo Harry Potter and the Deathly Hallows ( as relíquias da morte) quando ele me ligou, fechei o livro, atendi o cel, deliguei a lâmpada que fica na escrivaninha e fui lá.
Ainda ontem, meu pai conversou bastante comigo, depois do “assalto” ele disse que estava preocupado, que eu me fechei em copas, não conversava mais com ele, e qua não sei o lá...
Disse que eu havia deixado de conversar com todas as pessoas da época do colégio, se eu estavc om problemas, por qwue eu só queria saber de livros, e ficar trancado no quarto, eu dei uma justificativa qualquer, disse que estava estudando muito e tudo o mais...
Dái ele disse que também nunca mais tinha visto o Léo e se a gente tinha brigado, disse que ele ainda era migo de um cara que estudou com ele no colegial, e que amizades assim devem ser cultivadas...

- Rodrigo, a mãe não tá mais aqui filho, mas o que você precisar, pode pedir pro pai.

Vocês devem estar pensando que eu sou um banana né? Mas na hora eu chorei, e agora escrevendo, nossa!

Enfim o Léo tava lá embaixo, com roupas sociais, por conta do trabalho...

- Fala filho, eu vim aqui um dia desses, se não tava...
- É pow, me contaram, se sabe né, super ocupado...
- Sei qualeh, e como é que você ta?
Pow Brow, eu to bem cara...

[i]Quando a gente conversa
Contado casos besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei em que hora dizer, me dá um medo, que medo...[/i]

Meu celular tocou, era o Rico, o cara que eu beijei da faculdade...

Olhei pro Léo com uma cara de, “calma awe rapidin” ele encostou no carro, e ficou fitando o chão.

- Alô!
- E awe Rodrigão, beleza cara? É o Rico!
- Fala Rico, tudo certo sim!
- Então cara ta de bobeira hoje? Umbora dá um rolé, sei lá zuar um pouco...
- Poots Rico, hoje não vai rolar cara, vou ajudar meu pai numas paradas aqui...
- Pow... valeu Brow... Qualquer coisa me liga...
- valeu muleque!

O Léo estava me olhando com uma cara de desconfiado, e um sorriso de canto de boca...

- Quem era?
- Um colega ai da faculdade...
-...E por que você mentiu pra ele?
-Não tava afim de sair
-... Sei... Só colega mesmo?
- Aff!
- Fala cara?
- Você quer que eu fale o que? Léo se veio aqui pra ficar de insinuações?
- Só te fiz uma pergunta!
- E eu só te dei uma resposta!
- Não me deu não, só ta mentindo ai, quem era aquele muleque?
Galera, eu ri, eu ri muito, eu ri com gosto, não sei o que me deu...

- Ta vendo, ainda por cima é debochado! Vim aqui pra gente conversar!
- E não é isso que a gente já está fazendo?
- Não dá pra falar com você mesmo!
Ele foi se dirigindo pro carro, eu segurei o braço dele bem forte, ele me olhou nos olhos, eu acho que tava tomando forças, não soltei e disse!
- Você veio aqui pra conversar e é isso que agente vai fazer!
- Vamos lá em casa!

Ele me deu um olhar meio assustado, sei lá, eu tava meio que confiante, a gente foi direto pro meu quarto, ele sentou na minha cama, e começou.

- Cara, eu tenho um monte de perguntas, e espero que você tenha um monte de repostas...
Ele falava isso enquanto tirava os sapatos e ficava só de meias com as pernas tipo borboletas e apoiado na parede, sentado na cama.

Eu peguei a cadeira do computador, e fiquei próximo a escrivaninha, mexendo em alguns lápis, e abrindo e fechando a capa do livro do Harry...

- A quanto tempo que você gosta de mim?
Isso assim mesmo, sem meias, palavras sem rodeios, sem metáforas, na bucha!

Eu fui pego de surpresa, mas como havia tomado uma injeção de disposição e coragem, também fui direto, meu cérebro estava agindo rápido, mas acho que meus olhos daqui a pouco iam me trair, e as lágrimas sem duvida iam aparecer...
- Desde o primeiro momento que te vi!
- Mentira? Ele disse isso rindo...
- É, rsrs – nervosos – Não sei... desde o colegial eu acho!
- E como eu nunca percebi nada? Sei lá, agente era só amigo, e você namorava com a Jess!
- Cara, nem eu sei te responder...
-... Se é gay Digo?
- Não sei cara...
- Você foi o primeiro cara que eu já beijei! E eu, fui o seu primeiro?
- Não!
- Hã? Como assim?
- Quem foi o cara? O do telefone?
- Eu fiquei mudo, sem reação, tudo que saiu da minha boca foi... “Uhum...”
- Ele não era só um amigo? Por que você mentiu? Você sempre fez isso? Sempre mente pra fugir dos problemas?
- Cara... Não tem nada a ver isso, se eu fosse um mentiroso, não te contaria agora que já beijei esse muleque!
- E além de beijo, você foi mais além? Fez sexo com ele? Não faz essa cara, sexo é normal sabia?
- É claro que eu sabia, mas eu não transei com ele, não, nem com ninguém!
- Nem com minas?
- Não!
- E como eu posso acreditar em você?
- Não existe uma fórmula pra isso, você acredita se quiser!
- Sei...
- Se eu disser que tenho atração física por você o que você me diria?
- Diria, que quando se quer carne, vai-se ao açougue!
- Hum?
- Isso ai, atração física, é algo banal, eu sinto isso até vendo uma revista! Eu não quero isso, ou melhor não quero apenas isso!
- Cara você acha que eu vou namorar com um homem?
Lágrimas começaram a vir...
- Desculpa, mas eu preciso ser sincero com você!
- Quem ta pedindo pra você namorar com um homem? Eu só preciso que você namore comigo!
- por que você não é homem? Ele riu, eu ri também, eu tava super desencanado, bateu uma emoção, mas o clima não tava pesado, tava descontraído!
- Ai toupeira, você tirou roda a poesia da minha frase!
- Cara, eu não consigo acreditar nisso! Como é que é beijar um cara!
- Você já fez isso duas vezes, não deu ainda pra saber?
- Precisa ficar me lembrando?
- Por que se não gostou?
- Gostei... Mas acho que só por que foi com você!
- Léo, se você continuar assim eu nunca vou te esquecer cara!
- Mas eu não quero isso, mas eu também não quero sair gritando pra todo mundo essas coisas! Cara você não é viado, nem eu Brow!
- Ninguém precisa saber... ( me senti o Jack Twist, sentado na grama, ele o Ennis Del Mãe, vindo me dizer, que aquilo nunca mais ia se repetir, galera, acreditem cara, ainda vai aparecer uma pessoa que te ame e que te faça bem!)
- Eu to confuso!
Eu fui pra cama, sentei do lado dele, coloquei a cabeça dele no meu colo, a gente riu, eu fiz cafuné...
Ele ficou até de madrugada, bebemos Nescau, conversamos, rolou beijos, rolou mãos, eu coloquei lá dentro da cueca dele, minha mão- rsrs – ele colocou na minha, mas pelo lado de fora, elogiou o material, eu ri, ele ficou sem graça, tirou a mão, pos na minha bunda, eu tirei, a mão dele, a gente riu mais ainda!

E foi assim a visita, ontem eu liguei pra ele, hoje ele me passou um scrap, e amanhã a gente vai se ver!

Esse final a cima é falso, ou pelo menos se tornou falso!

Como assim? Se tornou falso? Então, no momento que eu escrevia isso ontem, meu celular tocou, eu já fui na fome e olhei pela janela, e adivinhem que estava lá em baixo?

Até que ele foi embora, no outro dia me ligou, olhei pela janela, ele riu pra mim, eu ri pra ele, desci, a gente se abraçou, um abraço bem forte, ele fez questão de dar uma cafungada no meu pescoço...

- Vamos, fazer o que hoje filho?
- Não sei cara... To aceitando sugestões?
- Já comeu?
- Ainda não!
- Umbora na Guanabara (pizzaria carioca) comer uma pizza?!
- deve ta lotada agora!
- A da Lapa fica vazia...
- Já é vou lá em cima pegar minha carteira!
- Umbora filho, to te convidando!
- Preciso pegar meus documentos também né?
- Vai rápido então!
- Ok!
Troquei de blusa, e peguei um casaco ( não, não tava frio, é que eu tenho essa mania de usar casaco!)
Dei uma olhada aqui na comu rapidinho, ri um pouco, desliguei o PC, desci!
- Vai aonde Rodrigo?
- Que susto pai!
Na hora que tava apagando a luz do banheiro meu pai entrou no quarto!
- Vou lá na Guanabara com o Léo!
- Ta certo, ta levando o documento? E o dinheiro? Toma aqui!
- Não pai eu tenho!
- Pega logo!
- Olha a hora hein! Não esquece que tem faculdade amanhã!
- Ta ok pai!
- Vai dar um beijo na Julia não?
Ele tava com minha irmãzinha no colo!
Dei um beijo rápido e parti!

O Léo tava com um humor legal aquele dia, colocou um cd do coldplay e agente foi ouvindo, e conversando sobre a eleição, a gente deu uma discutida por que eu tava meio bolado que meu candidato Fernando Gabeira havia perdido as eleições cariocas.

- Caramba cara, o Rio deu uma bobeira do caramba, o Gabeira ia inovar Brow...
-... Ele ia é fazer bagunça, o cara não tinha projeto nenhum!
- Aff, Léo vocês vão se arrepender por terem votado naquele mauricinho de uma figa!
- O Gabeira só queria saber de musiquinha e não sei o que lá...
-... Não vou nem mais discutir!
- Eu acho bom!
Estacionamos o carro em frente a Guanabara mesmo, que é uma pizzaria famosa aqui no Rio, tem várias filiais e essa que fica na lapa, tem dói ambientes um externo, que tem uma cara de botequim, algo bem “Rio Antigo” é onde a galerinha [i]in[/i] se reúne.
E tem um salão interno, um pouco mais sofisticado.
Ficamos na parte externa, claro, pedimos uma pizza marguerita e dois chopes.

Foi normal, comum, demos uma voltinha pela lapa, vimos alguns casais e tinha até dois muleques se pegando, coisa beem normal aqui no Rio! O Léo fingiu que não viu, eu fingi que não vi que ele tinha visto! Rsrsr!

Me deixou na porta de casa, e meteu o pé, foi normal, não rolou nada de mais!

Léo and Me: Quando o Príncipe vira Sapo!




Minha casa ainda é a mesma, meus amigos é que não, ano passado minha mãe faleceu, moro com meu pai, hoje em dia tenho uma irmã, meus problemas aumentaram, faço faculdade, conheci outras pessoas, o Léo voltou a ser meu amigo, mas ainda mexe bastante com meus sentimentos, ainda não consegui arrumar toda a bagunça que ele havia feito em mim.
Ele costuma vir aqui em casa, tava namorando com uma menina, mas parece que o relacionamento não vingou e no segundo mês chegou ao fim.

Bem, estou cursando propaganda e marketing, estou no 3º período, sou um menino normal, claro que não tão magro quanto antes, mas ainda assim, sou o mesmo cara, bem e o Léo, é tudo menos um menino, o cara ficou forte, e sei lá, mó homão, tipo, quando a gente sai, e perguntam nossa idade, todo mundo pensa que eu tenho 17, 16 anos, eu fico muito bolado putz, eu só vou gostar isso quando tiver com uns quarenta e poucos, por enquanto eu quero que pensem que já sou um cara experiente e tudo o mais...

E por falar em experiência, eu beijei um muleque...


Faculdade é um pólo de tribos, acabou a fase em que tudo o que importa é a popularidade, aqui não são todos da mesma idade, você não tem com quem falar você se vira sozinho, se fizer amizade, que bom pra você!
Se não? E ai? Problema seu! Trate de se formar, e é bom que tenha aprendido que o mundo não é daquela cor que você imaginava!

Estou eu no laboratório, fazendo algum trabalho, ou tentando burlar o bloqueio dos sites de relacionamento, não me lembro bem!
Entra o muleque que faz umas matérias comigo, Rico é o nome dele (Ricardo), vem em minha direção e diz:

- Cara se já tem dupla praquele trabalho?
- Tenho não cara!
- Então tem sim!
- Beleza! Vamos fazer quando?
Pode ser amanhã, lá em casa?
Já fiquei meio ligado...
- Pode ser hoje, não? É que amanhã é sábado!
- É que hoje está muito cheio lá em casa...
- Pô. Vamos lá pra casa então!
Meu pai não tava em casa mesmo...

Bem fizemos o trabalho, ficamos conversando, ele é engraçado, moreno, meio corpo legal, só sei, que, ele falou tem algum filme legal ai?
Eu falei, Poots sei num vai sair hoje não cara? Sei lá é sexta feira né?
Ai ele, não, não sou muito de balada não...
Sei qualeh...
Poe tem esses filmes ai oh...

Ele olhou todos e acabou colocando... O segredo de Brokeback Mountain...


E ai já viu né...


Foi um beijo quente, sei lá, eu curti!

Teve mãos lá e aqui, mas num sei, só foi isso, eu não quis mais nada...

Vou falar um pouco do Léo pra vocês...

Como sabem o conheci em uma ocasião muito especial pra mim, e todos os livrinhos de horóscopo que li, dizem que essa é uma posição muito favorável.
É um cara doce, que me persegue em meus sonhos, um muleque engraçado, curte as mesmas coisas que eu, me fez conhecer coisas novas, e é surpreendente a forma como me alegra.

Não vou falar características físicas já que ele é um amigo que amo, sem duvida alguma não me apaixonei pela beleza que ele possui isso não importa, pelo menos não quando se está apaixonado, talvez pra uma transa rápida, ou uma atração mais forte, pois quando se está realmente apaixonado por alguém, a pessoa pode ser horrenda, mas sua mente apaixonada, consegue bloquear todos os defeitos que o ser amado possui...

Fiz 19 anos, o Léo foi o primeiro a me dar os parabéns, me ligou as 23h: 59min, ficamos conversando e quando deu meia noite, ele me deu os parabéns...

- Alô?
- Alô, Digo?
- Léo?
- Claro né...
-...É que ta privado seu nº
- Beleza, então filho te liguei por que eu to com um probleminha ai...
-... Pode falar Brow!
- Cara é muito complicado esse problema...
- Fala logo e deixa de viadagem!
- São que horas Digo?
- Meia noite!
- Meu problema, é que não sabia como te enrolar, até dar meia noite e eu ser o primeiro a te dar os parabéns e entregar o teu presente!
- Poots Léo, caramba Brow, sei nem o que dizer!
- Desce ai que vou te dar o teu presente!
- Hum?
- Olha ai da tua janela, maluco, eu to aqui em baixo!


E ele realmente estava... Bermuda cargo, chinelos de couro, camiseta branca, corpo perfeito encostado no carro do irmão dele, nossa, minha barriga doeu, como antigamente, escovei os dentes rapidamente, tinha feito manutenção no aparelho naquela tarde, minha boca tava moh dolorida, dei uma olhada rápida no espelho, tava moh calor, coloquei uma bermuda qualquer, meu inseparável par de havaianas, peguei uma camiseta, e desci!

Meu pai estava na sala, e me deu os parabéns também, perguntou aonde eu tava indo àquela hora, eu disse qualquer coisa, dei um beijo na minha irmãzinha que estava dormindo no colo dele, minha madrasta também estava na sala, disse pra eu tomar cuidado e tudo o mais...
Depois dessa enxurrada de obstáculos, ainda veio o Fred, meu cachorro, querer passear àquela hora da noite, fiz festinha com ele, eu tava muito feliz mesmo, e sai...

E lá tava o Léo, lindo como sempre, me olhando e rindo, eu sai, coloquei a blusa, a luz amarela que vinha da iluminação da rua, deixava tudo com cara de filme antigo, não gente, eu não tinha bebido nada ainda, também não sei de onde eu tirei essa de filme antigo, mas enfim!

- Parabéns Digo! – abraço apertado, beijo no rosto! –
- Brigado – sendo esmagado pelo abraço apertado, e ainda curtindo o beijo no rosto-
- Preparado pra ir comemorar?
- Sei lá...
- Sabe lá nada, hoje a gente vai zoar a beça! Você lembra o dia que eu te conheci?
- Como é que eu poderia esquecer cara? Você apareceu na minha festa e nunca mais saiu da minha vida! – Falei isso, mas depois quase levei a mão na boca, tipo com susto por ter saído isso tudo!-
- Isso ai, e nunca quero sair da sua vida cara, nunca mesmo, então hoje faz três anos que agente se conhece, e isso, é motivo de dupla comemoração!
- Concordo – disse eu rindo, mas depois ficando puto por ter rido, minha boca tava mega dolorida!
- Awe, colocou a borracha verde só por que sabe que é minha cor favorita nehm?
- Ih nem pensei! E além do mais foi minha dentista que sugeriu...
- Sei... Calma ai...
Ele abriu a porta do carro, colocou metade do corpo pra dentro, e pegou uma caixa bem legal lá de dentro, eu sabia que era o tal presente...
- Espero que curta!
Ele me entregou o pacote, suuuper pesado!
- Ta tremendo meu? Eu te ajudo!
Colocou a mão em cima da minha e ficou me auxiliando a abrir o embrulho, querem saber como estava meu estômago? Em festa!
Bem, depois de tirar todo aquele papel de seda, e contribuir com o aquecimento global, o derretimento das calotas polares, e a poluição dos rios e mares, já que não é necessário todo o papel, papelão, e plástico que é gasto em um simples embrulho, mas tudo bem a causa era nobre...
Dentro da caixa, um tênis All star marrom, uma caixa de madeira, um pouco grande, um bauzinho mesmo, sentamos no meio fio, pedi pra ele segurar o tênis e fui ver o que tinha dentro do baú!

Os 7 livros da série Harry Potter, escritos pela J.k Rowling! Poots eu fiquei super feliz, os meus estavam com as páginas caindo, os primeiros, nem sei se ainda existiam!

- Eu sei que você já tem, mas eu vi o estado que eles estavam, e como você já leu, esses vão durar bastante, e você pode ler de novo e lembrar-se de mim sempre!

Não agüentei, abracei o Léo, abracei bem forte, fechei os olhos, curti o momento, chorei baixinho, ele sentiu, me colocou no ombro dele, me deu o tempo que eu precisava pra me recompor...

- Vamos comemorar então?
- Vamos! Deixa só eu ir em casa trocar de roupa!
- Beleza, 5 minutos hein, to te esperando aqui!


Entrei em casa, todos já tinha ido dormir, fui pro meu quarto, tomei um banho de gato, peguei uma roupa qualquer no armário, to naquela fase de querer mostrar os músculos sabe qualeh? Se quiserem me dar um presente, tem que ser blusa regata!

Então, coloquei o tênis que havia ganho a pouco, desci as escadas de dois em dois degraus, o Fred, tava com fome, fui até a cozinha coloquei ração pra ele, fechei a porta! E fuiz!

- Sabia que vc ia por o tênis!
- Eu sabia que você ia querer!
- Entra awe!
Entrei no carro, ele colocou um cd bem legal, com musicas que a gente curte!

- Pra onde a gente ta indo às 01:19 da manhã? Eu quis saber!
- Pro arpoador, a gente vai comprar cerveja, hoje é sexta feira...
-... hoje é sábado!
- A é, já passou da meia noite, mas concluindo, a gente não trabalha amanhã mesmo, a gente vai ver o por do sol, depois, vamos lá pra casa, vamos beber mais, fazer churrasco e conversar...
- Nossa! Tudo isso!
- E muito mais!





A bebedeira foi geral, compramos alguns
Smirnoff Ice, uma garrafa de Bacardi, arrumamos gelo no supermercado Zona Sul que é perto do arpoador mesmo e lá fomos nós...
Sentamos nas pedras como estava calor e ainda eram 2: e pouco da manhã, tinham vários casais nas pedras, o Léo foi rumando lá pra trás, onde a iluminação não bomba tanto, a gente sentou, e bebeu bastante.

No decorrer da noite, isso já ia dar umas 05, 06 horas por ai, a gente já tava muito alto mesmo:
- Léo obrigado cara, hoje ta sendo o melhor dia da minha vida!
- Da minha também filho...
Dizendo isso ele coloca minha cabeça no peito dele, eu fecho os olhos, fico ali curtindo o momento e quando eu menos espero, ele me beija...

Foi o beijo mais intenso, mais gostoso, o beijo que eu mais esperei em minha vida, eu fui pego sem reação, mas continuei, fui levando, não houveram mãos, só carinho, não houve entrega de corpos, e sim de alma, fomos nos beijando, até que ele disse.

- Digo, vamos lá pra casa?
- Umbora!
- Mas eu dirijo!
- Ta certo
Eu também estava bêbado, mas tipo, o Léo sempre dorme nessas situações, e agora que tava tudo tão bem, eu não ia morrer né (rsrsrs eu sei humor negro essa hora não!)

Chegamos a casa dele, antes passamos no Zona Sul e compramos mais Smirnoff Ice, fomos bebendo e tals, chegamos lá já era de manhã.

Entrei na sala não tinha ninguém em casa, o Léo me olhou com uma cara estranha, e disse assim, me espera lá em cima que eu já subo!
Tudo bem, eu fui, achei estranho a forma que ele me olhou, mas essa hora da manhã eu super bêbado, não ia me grilar com um olhar meio atravessado né?
Sentei na cama e esperei...

Ele subiu, só de cueca, sentou do meu lado, colocou a mão na minha perna eu percebi que o negócio dele tava ficando duro, eu fui beijar o Léo, ele disse.
- Não cara! Chega de beijo!
Caramba, brothers, o chão abriu uma cratera imensa assim...
- Hã?
- É chega de beijo, tu é mó viadinho mesmo, eu vou te comer hoje!
Caralho eu tirei o braço dele do meu ombro, dei maior impurrão e levantei da porra da cama!
- Ou vem aqui!
Eu fiquei procurando vestígios do Léo naquele ser asqueroso que tava na minha frente, eu não conseguia, não sei se por decorrência das benditas lágrimas que teimavam em cair, ele veio na minha direção, sei lá, me pareceu sóbrio, tentou me segurar, eu dei um soco, o mais forte que já dei em alguém se não no vento, ele revidou, a gente se embolou no chão, eu corri desci as escadas, fui embora!

A manhã estava linda aqui no Rio de Janeiro, um sábado perfeito, as pessoas indo ao trabalho, muitas outras à praia, eu andando, pelo Jardim botânico, as 09 da manhã, chorando, rosto vermelho, vida Vazia...

Cheguei em casa, estava sem minha chave, chamei algumas vezes, a menina que faz faxina veio abrir a porta, perguntou se tinha acontecido alguma coisa, por que eu tava vermelho e chorando, eu disse que não foi nada, um assaltado...

Perguntei pelo meu pai, trabalhando, madrasta, tinha ido levar a Julia no hospital.

Subi, sumi, dormi, morri...

As 15:00 minha madrasta me acordou, me abraçou, perguntou o que tinha acontecido, eu continuei com a história do assalto, ela disse pra eu tomar cuidado, me deu os parabéns, e disse que meu pai ia fazer um churrasco pra mim no outro dia, que era domingo, eu disse que tudo bem, pedi pra ela fechar a persiana, eu ia dormir mais...

Léo and Me: As pedras no caminho


Na semana seguinte, na escola, tinha um lance de um professor que era moh cheio de marra, e comigo então, putz, o cara me odiava mesmo, não falava comigo, e eu até hoje não sei o porquê disso, só sei que era a matéria que eu mais me esforçava, não podia dar mole praquele calhorda me ferrar...
E foi justamente na aula dele, que eu fui pego passando cola!
O Léo não era dos alunos mais inteligentes, mas também não era burro, mas tipo, ele não tinha estudado nada de física, e eu sacava um pouco,
é claro que não era um gênio, mas como disse procurava ficar por dentro do que o careca do professor dizia, eu tava meio safo, e aquele teste surpresa, não me pegou nada de surpresa;;;
As carteiras da sala eram juntas, eu claro que me sentava com o Léo, só que como íamos fazer um teste, tivemos que separar tudo, na medida em que a gente ia re arrumando a sala, o Léo ia fazendo uns sinais com os lábios e com as mãos...

Tipo...

To fudido... To frito...

Eu ri pacas, e o professor só me olhando com uma cara feia por cima daqueles óculos medonhos que ele usava...
Arrumamos toda a classe, o Léo ficou atrás da minha carteira, me cutucando com os pés, a prova tava fácil do jeito que eu imaginava, eram só 5 questões discursivas...
O Léo me pediu a borracha emprestada, mas o que ele queria mesmo era a cola da questão 3, escrevi na borracha e quando ia passar pra traz...

- Rodrigo me empresta essa borracha, por favor?
Eu gelei, por que justo agora esse cara seboso, desse professor vai querer a droga da minha borracha?!
- Ah professor pega ai com o Ygor por que eu vou emprestar aqui pro Léo!
- Não, eu quero A SUA borracha!
- Professor, mas a minha borracha é igual a do Ygor mostra pra ele ai Ygor...
Eu estava todo nervoso, e comecei a gaguejar, ele levantou aquela bunda gorda e veio em minha direção, eu olhei pra trás e o Léo estava vermelho igual a não sei o que...

Chegou perto de mim com uma cara do tipo “Viu o seu extraterrestrezinho demorou mais eu te peguei”.
- Me passa a borracha Rodrigo!
- Professor eu não sou obrigado a te emprestar meu material não!
- Eu quero ver a sua borracha só isso.
- Já disse é igual a do Ygor, pega a dele, por que eu não to afim nem de mostrar!
- E se o diretor pedir?
- Eu também não mostro, e além do mais pra que o senhor quer tanto ver essa borracha?
- Por que eu desconfio que você estava tentando passar cola!
- O senhor então está me acusando sem saber, ou seja, sem provas...
-... Deixe de ser insolente, a prova está em suas mãos...
- E o senhor tem como provar que a prova está em minhas mãos?
- Olha aqui, eu não tenho tempo de discutir com quem não merece, vai pra secretária, deixa a prova ( a prova de verdade, não a borracha!) em cima da mesa!
- Por que eu vou pra secretária? O que foi que eu fiz?
- Já disse, vá e diga ao diretor que fui eu que te mandei! Leve suas coisas, ah e não se esqueça da borracha!
- Rodrigo calma ai!
O Léo levantou-se da carteira!
- Eu vou com ele!
- Léo, fica ai cara, não precisa, deixa essa parada quieta!
- Claro que precisa!
Ele pôs o braço no meu ombro meio que me envolvendo, eu curti, e nós rumamos pra “solitária”
Eu nunca tinha ido à diretoria, não sei o que me deu, lá fui eu, ia me ferrar já tava até vendo!

Chegando lá o diretor estava no telefone, pra variar, sentei em uma salinha e fiquei conversando com o carinha da Xerox, muito legal ele, de vez em quando ele dava uma de inspetor também e ficou assustado por eu estar ali...
Uns cinco minutos depois vêm o Senhor Calvo (kkk) atrás de mim, já vem cheio de atitudes e desaforos.

- Professor Hamilton, o aluno, Rodrigo Velásquez contou o porquê de ele estar aqui?
- Não Calvo (kkk), ele não me disse, você gostaria de me fazer à gentileza de explicar?
O Hamilton é um Homem gordo, branco, com o rosto inchado, tem uma aparência bondosa, fede a tabaco, usa uns óculos grandes, é sempre muito justo, antes de ser diretor era professor de ciências.
- Então quer dizer que ele não disse que tentou passar cola, pro aluno Leonardo Nunes.
Tentei falar, mas o Calvo só berrava, e ficava cada vez mais vermelho!
- Professor Hamilton...?
Saiu um fiozinho de voz de minha laringe, ou seria faringe, ou nenhuma das duas?
- Diga Rodrigo.
- Eu queria que o professor Calvo, me mostrasse alguma prova de que eu estava colando!
- Muito bem, mostre sua borracha!
- Borracha? Professor, eu não tenho borracha!
- Como é que é, deixe de ser mentiroso menino, onde já se viu, mostre logo sua borracha anda!
O calvo ficou descontrolado, tentou pegar minha mochila, eu fiquei segurando, o Hamilton ficou assustado olhava aquela cena com uma cara de muito poucos amigos, minhas coisas caíram no chão, mas a borracha estava bem a salvo em baixo da maquina copiadora.
Todos os alunos da sala estavam observando pela parte de vidro da porta, começaram a rir, e a algazarra foi geral!
- Depois que eu recolhi tudo, o Calvo sentou no sofá, ele estava descontrolado, como ele é meio gordo, tava todo suado, nas axilas e na bunda, eu me segurei tanto pra não rir, que não consegui segurar, e saíram dois peidos ninjas**
...
Peido ninja, silencioso, mas, Fatal!
...

O Hamilton me mandou sair, ficou falando um tempo com o Calvo que me fuzilou com aqueles olhos negros, o Sinal bateu, todos saíram, e no intervalo, todo mundo vinha me parabenizar e rir, o Léo, ficou ao meu lado o tempo inteiro, disse que eu era um amigão, me abraçou, subiu nas minhas costas, enfim, maior coisa!

Os outros dias no colégio foram normais, eu como tinha virado o “deus menino” tava levando uma vida legal...
Até que teve a viagem de formatura, isso no fim do ano, ao invés daquela festa formal, a direção optou por viagens individuais, ou seja, turma por turma além doa alunos, um professor previamente escolhido pelos alunos, acompanharia o grupo.Nossa turma escolheu a Glória de português, e nós viajaríamos para Penedo, uma cidade serrana aqui do Rio de Janeiro. Cheguei na casa do Léo 06:30 da manhã, a gente sempre ia a pé pra escola, mas aquele dia tínhamos que chegar cedo, eu já tava todo eufórico esperando o Léo que pra variar já tava atrasado, cheguei na casa dele, seu pai estava na cozinha tomando café, me deu um oi caloroso e ficou conversando banalidades comigo...

- E o flamengo hein Rodrigo?
Eu que vou saber – pensei-
- Torço pro Botafogo seu Carlos!
- Ah é verdade tinha me esquecido, você é igual ao Léo...
Risos nervosos e um silencio constrangedor, ele fingindo que lia o jornal, e eu fingindo que olhava algo perdido na bolsa, 20 minutos depois o Léo desceu, boné, calça jeans, um tênis branco, a bolsa transpassada, o sorriso perfeito, enfim, o Léo...
Dei tchau pro seu Carlos e fomos caminhando pro ponto de taxi, ele ficou me contando dos pais dele de uma possível separação e que não sei mais o que, eu fui ouvindo tudo, falava coisas do tipo...
“Essas coisas, acontecem...” “Vai tudo melhorar”... E todos os outros clichês imagináveis
!

Léo and Me: O "Ridículo da Vida"


Acabei terminado com a Jéssica, mas ainda assim, a amizade não voltou a ser a mesma, até que um dia eu liguei pro Léo, isso eram umas 00:00.- Léo?- fala filho?- Tava dormindo?- Naum pô, tava na net, o que tu manda?- Nada pô, queria só conversar!- Fala muleque!- Sei lá, não é nada de mais não...- Queria só ouvir minha voz né Rodrigo!Fiquei um pouco mudo, eu acho que era isso, mas não queria admitir pra mim mesmo.- Cara posso te falar uma parada?- Se pode tudo Rodrigo!Dei um riso nervoso.
- Então tá bom! Se liga, você está afim de vir aqui pra casa?- Essa hora?- É hoje é sexta, baixei um filme, e estou sozinho, meus pais foram pra Angra, e só voltam na quarta, depois do feriado!- Putz, cara, não sei, vou dar um jeito aqui com meus pais e te ligo!- Valeu Brow!Até mais!

Acabou que ele naum veio e ficou só no convite mesmo, e nem ligar ligou...Desencanei um pouco, um mês depois chegou a época das olimpíadas escolares, eu como sempre me inscrevi em um monte de competições, não por ser fã de esportes e sim por causa dos pontos que se ganha!Os jogos ocorriam no ginásio da escola, os alunos eram divididos por bandeira, que se modificavam através das cores, nesse ano eu fiquei na equipe amarela, o Léo ficou na vermelha, que tipo, todos falam são as melhores do colégio, a azul não fica pra trás e a branca é a mais sem noção!Todo o colégio se reunia no ginásio como já disse os alunos que não competiam ficavam na platéia, torcendo gritando, cantando aquelas musiquinhas chatas com aquelas costumeiras rimas...Cheguei ao colégio as 9:00 naquele ultimo dia de jogos escolares, o clima frio estava de mais, eu estava com um cachecol meio laranja, uma calça jeans escura, o All star branco que já estava meio creme, a mochila preta nas costas, e os problemas acumulados em um cérebro calejado!Entrei no ginásio, recebi muitos sorrisos, algumas pessoas viraram o rosto, naum se agrada a todos, Sentei na arquibancada, estava com i-pod ligado, fiquei lá ouvindo minhas musicas, esperando o jogo começar, uns cinco minutos depois o vejo!Chuteira meio dourada, um short azul, camiseta da mesma cor, era o Léo, moh gato, ia competir no futebol, desliguei o som, fiquei olhando, o jogo começou, a gritaria também, mas eu nada ouvia, estava desligado do mundo...O Léo vez ou outra olhava pra mim, em seu rosto não conseguia distinguir nenhum vestígio de que estava feliz em me ver, não via nada, só um cara sedento por vencer, fiquei intrigado, e continuei acompanhando cada lance...

Depois que o time do Léo levou o segundo gol e a equipe vermelha quase foi expulsa da arquibancada por xingar todos os tipos de palavrões em quase todos os idiomas possíveis, o gol da equipe vermelha saiu, não, não foi o Léo que fez, isso só acontece nos filmes, ah e ele também não comemorou com um coração em minha direção, ou tirou a camisa que usava e por baixo tinha outra com uma foto minha estampada, ele simplesmente abraçou o muleque que fez o gol, e continuou na partida!O jogo estava acabando estava 2 X 1, pra equipe azul, o Léo fez um gol, olhou pra mim, e riu, uma coisa, normal, eu claro fiquei todo feliz, acabou empatada a partida, fui lá ao vestiário falar com a galera, o pessoal estava eufórico o empate parecia uma vitória, já que no time da equipe branca, jogava o Ricardo, o muleque era quase profissional e treinava no Fluminense...Depois de ver a partida da equipe do Léo fui jogar o meu xadrez, e venci também ganhei uma medalha “de ouro”, que é vendida aos montes em uma armarinho perto da escola...Depois dos jogos fomos todos pra um quiosque que tem à duas quadras da escola!


Chegou “maior bondão”, no quiosque, nem tinha cadeira pra todo mundo e o cara teve que pedir emprestado a mulher do lado, enfim, sentamos, o Léo foi um dos últimos a pegar aquela cadeira de plástico que fazia propaganda de cervejaria, tanto fez que pôs a cadeira ao lado da minha, eu curti aquilo, mas fiquei com vergonha, porém ninguém além de mim havia pensado em besteira.
Bebemos à vera, aqui no Rio até existe aquela lei que não se pode vender bebida alcoólica a não sei quantos metros de um colégio, mas é óbvio que por ser uma lei, e por estarmos no Rio, está era mais uma que não se cumpria!

Já ia dar umas 17:00 quando chegou um grupo de meninas, os muleques ficaram todos com fogo, até eu fiquei rindo e zuando também, mas daí teve uma que sentou no colo do Léo, eu fiquei, sem graça, sei lá, ciúmes? Talvez, só sei que minha barriga começou a doer, e eu não podia falar nada, só fiquei quieto, fitando o nada, e tentando olhar pela poça que meu copo havia feito na mesa, se minhas bochechas estavam vermelhas, por que eu tava sentindo meu rosto em brasas...

A menina passava a mão nos cabelos dele, hora no rosto, e ficava rindo, e falando coisas no ouvido dele, e o Léo, moh viajando, nem ai, só curtindo o momento...

Depois de uma meia hora nessa situação eu resolvi meter o pé, paguei algumas cervejas, e quando tava partindo pra casa o Léo deu um grito.
-Rodrigo!
Olhei pra trás, ele tava vindo em minha direção!
- Fala Léo!?
- Você está indo agora por quê? Nem me avisou!
- Putz, cê tinha ido ao banheiro com aquela menina, e pensei que fosse demorar!
- Não Brow, ela queria vomitar e eu fui com ela pô, só isso!
- Entendi...
- ...Cara, não me deixa sozinho não!
- Léo, que sozinho ta todo mundo ai véio!
- Cara, não me deixa sozinho!
Meus olhos se encheram de lágrimas, não sei o que me deu, eu tava amando de mais aquele cara, demais mesmo, e eu tava confuso, e sem entender direito as coisas, eu tinha 16 anos, não sabia muito bem de nada, achava que sabia, como acho que agora já sei, mas no fundo, sei que nada sei, e até essas filosofias baratas são balela...
- Você está chorando cara? Que, que eu fiz, fala!
Ele veio me abraçando, eu fui andando pra sair do campo de visão do pessoal, minha cabeça tava rodando, Putz eu estava bêbado, ele me colocou sentado no meio fio, e disse que ia pegar a mochila e deixar uma grana pra ajudar na conta.


Saímos, eu fui pra casa, ele também, dormi, acordei, dormi de novo, minha garganta estava inflamada, fiquei um tempo olhando o teto, fui tomar um banho, pensei em ligar, mas deixei quieto, estava me sentindo patético, como assim, de repente tudo o que eu fazia pensava e sentia, era em função dele, tava me sentindo impotente, no chuveiro pensei bastante, pensei muito, tanto que decidi, que não ia mais deixar as coisas continuarem dessa forma, eu tinha que ver se realmente eu estava gostando desse cara!

Léo and Me: Era amor mesmo!




Os meses passavam e nós éramos os melhores amigos, teve um dia que ele decidiu assistir as temporadas de um seriado que fazia muito sucesso, uma espécie de barrados no baile dos anos 2000, uma sessão The O.C! Fomos pro quarto dele, e ficamos vendo as aventuras de Ryan, Seth, Summer, Marissa, e companhia...Quando já estávamos na segunda temporada, ele resolveu ir pra cama, até então estávamos assistindo no chão sentados no carpete, ele ficou batendo com o pé nas minhas costas, me chamando pra subir também, eu fui meio que todo sem graça, sentei ao seu lado.- Deita ai Mané! Ta com medo de mim? Eu só vou morder se você quiser!Eu achei aquilo estranho, ri um pouco, não sei se estava gostando da situação, só sei que minha barriga estava “confusa” parecia que tinha um bicho dentro dela, ele riu também, quando estávamos quase terminado de assistir a 3ª temporada eu acabei pegando no sono, e quando foi 2:00 da manhã eu acordei, estávamos cobertos, a perna dele estava em cima de mim, eu fiquei feliz, e dormi, naquele dia não lembro o que sonhei, mas se sonhei, com certeza neste sonho eu estava no céu!Acordei com meu celular tocando, os gritos da minha mãe acabaram acordando o Léo também, que fez maior cara fofa do tipo "cara num liga naum, a culpa foi minha!"Depois deu dizer pra minha mãe que não tinha como voltar e acalmá-la dizendo que os pais do Léo eram pessoas legais, e não eram nenhum casal seqüestrador ou ladrões de órgãos, e tudo o mais, ela disse que se fossem legais, mesmo teriam ligado pra ela e avisado que eu ia dormir ali Mas como eles poderiam avisar se nem mesmo sabiam que eu estava ali?Enfim, acabou que não dormimos mais, o Léo me ofereceu uma vitamina, fomos até a cozinha, ele estava vestindo uma cueca samba canção e eu um short (dele!) de tactel, teve uma hora que ele pediu pra que pegasse o açúcar só que tava olhando pra ele, hipnotizado, daí ele passou a mão no meu cabelo,e agente ficou um tempo assim, no maior transe...Na escola a galerinha começou a comentar um monte de coisas...Foi ai que num impulso eu cometi o maior erro da minha vida, comecei a sair com a Jéssica!Fiquei assustado, nunca tinha passado por isso, as pessoas apontavam e falavam coisinhas, e sendo que antes disso tudo eu era super popular, sem palhaçada, as festas sempre eram aqui em casa, eu sempre escolhia o pessoal dos times de futebol, mas depois de um tempo gelo total!


Eu tinha que fazer alguma coisa, pensei, pensei, a Jéssica me dava um mole do caramba, e foi ai que pedi pra ficar com ela, o beijo rolou no pátio mesmo, depois de uma semana ela anunciou que a gente tava namorando!Garota muito grudenta, eu ficava sufocado, o Léo foi se afastando, eu via isso, mas naum sabia como voltar a trás, até o dia que ele foi lá em casa...Eu tava no computador quando vieram me avisar que ele estava lá em baixo
Desci as escadas correndo, fazia muito tempo que não falava com o Léo, exceto o oi chato, quando o via, ou então as vezes que a gente falava sobre o tempo, ou alguns esbarrões na biblioteca, mas a Jess estava sempre no meu pé, sem contar que ela dizia não gostar nenhum um pouco do Léo, e isso foi motivo de muitas brigas entre a gente!Lá estava ele, casaco de gola role, uma calça cargo, um chinelo havaianas branco, meu coração disparou, meu sorriso metálico estava o mais radiante possível, ele riu também!- Cara, que saudade!
- Se nem imagina muleque! Por isso que vim aqui te ver!- Nossa to muito feliz!- Sobe aê brow, to fazendo o trabalho daquele chato do professor de história!- Ué, mas não era em grupo?- É, mas, se sabe como é o povo né? Prefiro eu mesmo fazer... Sempre fui assim...- ... Individualista? Ele disse isso olhando bem nos meus olhos...-... Não preocupado!-... Com a opinião dos outros?-... Não com a minha!- Então essa é a sua opinião?Eu estava confuso, ele não estava falando mais do trabalho...
- Sobre o trabalho em grupo? Sim essa é minha opinião!Ficamos um bom tempo no computador, eu mostrei pra ele o meu blog, ele me disse que lia quase todo o dia, mais parou quando o blog virou uma coisinha chata onde a Jess, em posse da minha senha postava milhões de cartõezinhos açucarados, e fotos dela...-Ta com ciúmes né?- Ele riu, e disse que tava!- Dai eu o abracei, ele ficou sem jeito, e se desvencilhou me mostrando qualquer coisa
no PC!

Léo and Me: O inicio de tudo!





Conheci o Léo, quando fiz 16 anos e ele foi com uns amigos em comum no meu aniversário!Eu tava lá todo bêbado zuando com os amigos, de repente ele chega e vem me dar feliz aniversário, eu achei estranho, mas até ai tudo bem, o cumprimentei, e ele disse.- Parabéns cara!- Pô cara valeu!- Você deve estar pensando, quem é esse maluco que eu não conheço?Eu ri, exageradamente, talvez pela bebida, ele riu também.- É cara, Eu estou até pensando sim, você veio com algum colega meu?- Então cara, eu to estudando lá no João Paulo (o colégio em que eu estudo), e to na sua classe desde segunda feira...
Afoito eu o interrompi.-... Nossa sério, cara... Putz, eu tive que faltar essa semana! Tava resolvendo um monte de coisas, mas meu pai arrumou um atestado meio que falso e na segunda vou entregar!- Sei qual é, então, daí na sexta o pessoal me chamou pra vir aqui, eu relutei um pouco mais to aqui né!- Pô brother valeu mesmo por ter vindo, curte a musica aê!- Valeu cara! Eu estava feliz, curtindo todas as músicas, meus amigos todos estavam lá, na medida em que a festa ia rolando, eu reparava que o Léo ficava dançando, mas vira e mexe me dava umas olhadas meio esquisitas, mas até hoje não sei se isso era viagem minha... O tempo foi passando e a madrugada chegou, o pessoal foi indo embora, ele veio se despedir de mim, a gente deu um abraço forte, um olhar bem no fundo dos olhos e ele partiu!

A segunda feira chegou, levei o atestado pra escola, tudo resolvido, cheguei bem cedo aquele dia no colégio, ainda não tinha ninguém, mas a biblioteca já estava aberta, a Senhora Aríete, a bibliotecária da escola, é a primeira funcionária a colocar o pé no prédio, sempre impecável usa roupas sociais, e tem uma voz irritante, e toscamente infantil, sem contar que é um porre uma chata de galocha!
Entrei na biblioteca, dei um bom dia seco, ela também não estava muito pra conversas, se enfiou no livro que estava lendo, de longe eu consegui dar uma espiada no titulo.“Os homens são de marte, e é pra que eu vou!” Eu dei um sorriso meio baixo, e fui pras prateleiras lá de trás, que é onde ficam os livros que eu curto, tipo aventura, sei lá, J.R.R Tolkien, C.S Lewis, e muitos outros autores do gênero, eu estava quase terminando de ler O Hobbit, esses tipos de livros são muito disputados lá na escola, então a tática pra que nenhum espertinho cate o livro que você está lendo, é esconder o dito cujo, em algum lugar que ninguém tenha coragem de procurar! E Foi o que eu fiz, coloquei lá na sessão de culinária, lugar que tirando umas menininhas que já estão treinando para “a vida de uma dona de casa exemplar” ninguém vai...Fui todo afoito pegar o livro, mas como mágica alguém tinha achado a droga do livro, fiquei muito bolado, como assim? Aff! Peguei uma revista Veja velha, eu tinha que esperar o tempo passar, não tinha ninguém na escola ainda.Quando chego ao sofá pra ler a contra gosto a revista, eu o vejo!Calça jeans surrada, all star azul caneta, camiseta azul com um capus muito estiloso na parte de trás, cabelos arrepiados e com gel, nas mãos, O Hobbit, o meu livro!Ele me vê também, dá um sorriso perfeito, me convida pra sentar ali, eu até esqueci que tava puto!- Fala Rodrigo tudo bem?- Beleza!- E aê chegou cedo hein Mané!- É pô, tive que entregar o atestado, e como a diretoria sempre fica cheia, decidi dar uma adiantada nas coisas.- Entendi! To lendo um livro aqui, bem legal!- É eu sei tava lendo este livro ai mesmo!- Sério mano, caraca, eu sabia que tinha alguém lendo, por que o Ygor me falou que os melhores livros estão sempre ali na sessão de culinária, que é onde a galerinha maloca!- Caralho, o Ygor, é Muito filho da puta, foi eu que contei isso pra ele! Ri bastante! Ele riu também!- É, parece que ele não é a melhor pessoa pra guardar segredos.- É verdade!

Ficamos conversando bastante, e rindo também, levamos alguns esporros da dona Aríete, só sei que quando sai da biblioteca naquela segunda feira ensolarada, caminhava felizmente com minha nova e sólida promessa de uma grande amizade!